Texto escrito e enviado pelo leitor:  José Luís Pedroso

Origem-horzEstamos vivendo em meio a uma “cruzada religiosa” nas escolas. 

O criacionismo sai do espaço que sempre lhe foi reservado, as aulas de religião, e vai se infiltrando em outras áreas, pouco a pouco.

Ciência, história e religião vão sendo misturados, formando uma confusa teia de pseudoconhecimento, onde fica difícil para as crianças saberem onde termina o mito e começa a história, o que é ciência e o que são dogmas. 

Vejo algumas pessoas preocupadas com o conteúdo ensinado a seus filhos, em especial na aula de ciências. É uma preocupação válida, mas o conteúdo é apenas parte de um problema maior: a falta do pensamento racional. 

As crianças recebem fórmulas e teorias, e devem decorá-las. Às vezes fazem algum experimento, seguindo estritamente as instruções. Não há espaço para questionamentos a respeito daquilo que está sendo ensinado. 

 

O senso crítico não serve apenas para a ciência, mas para todas as áreas de conhecimento.

 

Seria importante a escola treinar seu aluno a seguir uma linha lógica de pensamento. Mostrar que um fenômeno nunca é isolado, mas que ele está inserido em um contexto. E, principalmente, que o aluno não deve se fixar no que acontece, mas sim tentar descobrir e entender as causas daquilo ter acontecido. 

E como efetuar estas descobertas? Estudando os fenômenos, discutindo sobre o assunto, efetuando testes, eliminando idéias erradas, testando novamente as que parecem certas. Pouco a pouco, o aluno se acostumaria a atuar desta forma, buscando sempre a razão para fatos cotidianos, e desenvolvendo um senso crítico que serve não apenas para a ciência, mas para todas as áreas de conhecimento. 

Não estou sugerindo que formemos uma geração de cientistas, isso depende também de talento específico, mas sim que o aluno médio possa pensar racionalmente, em vez de funcionar como uma agenda eletrônica, que recebe milhares de informações e as repete na hora da prova. 

 

É bem mais fácil receber tudo mastigado e com uma explicação simples.

 

Um aluno que simplesmente decora tudo, dificilmente terá discernimento para verificar se o que está decorando é certo ou errado, faz sentido ou é uma bobagem, é algo comprovado ou um mito bobo. E é aí que crescem teorias como criacionismo, cientologia e outras formas de obscurantismo. Quem não aprende a comprovar, também não exige comprovação. E, convenhamos, é bem mais fácil receber tudo mastigado e com uma explicação simples, ainda que ilógica. 

Tendo assimilado uma forma racional de pensar e com a curiosidade estimulada, sem dúvida o aluno passará a ser cuidadoso com aquilo que aceita como verdade e terá menos chance de se deixar levar por visões mitológicas do mundo.

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