Autor: Fabrício “Pudoca”

diversidadeUnir ateus é como arrebanhar gatos. (Richard Dawkins)

Existe uma tendência incrível de aplicar o modelo religioso a qualquer comunidade de ateus.

A lógica é simplista: as questões que unem ambos os grupos giram em torno da existência  (ou não) de deus. Portanto, suas formas de agrupamento social são semelhantes.

Non sequitur.

Religião

As comunidades religiosas reúnem-se com o objetivo de reafirmar, em grupo, as crenças individuais em um certo conjunto de dogmas. Geralmente têm como características o totalitarismo, a liderança carismática e o expansionismo, o que faz delas organizações políticas verticais bem estruturadas.

A base que as sustenta e garante sua permanência através do tempo, mantendo uma imunidade a qualquer processo dialético interno, é totalmente composta por dogmas. Dogmas são doutrinas sistemáticas impostas com a qualidade de incontestáveis, que descrevem o quê e como deve ser valorizado pelo indivíduo; e o quê ele deve pensar e como deve pensar. Toda forma de religião é uma ideologia.

Ateísmo

Nas comunidades atéias não existem dogmas. Não existem livros sagrados. Não há um líder dizendo como você deve pensar, ou como valorizar cada aspecto de sua vida. Não somos, em absoluto, uma “igreja ateísta”.

Enquanto a essência das Igrejas reúne seus indivíduos em torno de um único ideal, roubando-lhes a identidade, entre ateus se observa a mais profunda anarquia e diversidade de pensamentos. Somos kantianos, nietzscheanos, marxistas, freudianos, darwinistas, sartrianos, hedonistas, humanistas, naturalistas… cada um tem sua forma de ver o mundo, seus “óculos da verdade”. Cada um tem sua forma de valorizar a existência.

Somos indivíduos pensantes e chegamos até aqui pelos mais diversos caminhos, com nossas próprias pernas. E isso nos faz maravilhosamente diferentes uns dos outros.

Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum

Alguns objetivos nos mantêm unidos.

Queremos vigiar de perto o Estado e os flertes indecentes que recebe das religiões, tentando violar seu laicismo. Queremos articular um mecanismo que possa defender os direitos individuais que forem ultrajados por discriminação religiosa. Queremos mostrar que a ausência de deus não torna ninguém menos feliz ou menos ético; e que a própria hipótese de deus pode ser irrelevante para uma vida plena e saudável. Queremos zelar para que nossas crianças recebam um ensino público saudável e desprendido de qualquer vínculo religioso. Queremos que nossas crianças perguntem mais.

Buscamos, ainda, um canto onde possamos abordar os mais diversos assuntos de interesse da humanidade, com a esperança de que nossos opositores serão livres para o exercício da dialética. Um lugar para trocar experiências e valorizar a vida, sem a coação das terríveis ameaças eternas.

Um lugar de combate às mentiras, ao medo e ao niilismo; onde possamos demolir qualquer moralidade pautada em outro mundo.

Onde compartilhemos a visão do homem como criador único de seus próprios valores.

E, acima de tudo: um lugar onde quem esteja chegando não se sinta sozinho.

Bem-vindo à UNA.