Autor: Vides Junior

Ciência e Fé

Ciência e Fé

Uma teoria séria não é um simples achismo. Para os cientistas ela representa o princípio de uma nova verdade. Uma teoria descreve detalhadamente o funcionamento e os aspectos de determinado objeto ou acontecimento. Ela surge após longa e perspicaz observação e experimentação e, quando é divulgada, deve sobreviver ao estudo crítico de outros cientistas, que podem endossá-la ou destruí-la. Dizer que uma teoria não tem validade prática é questionar todas as grandes descobertas científicas que surgiram de teorias. Somos feitos de células (teoria celular), quando tropeçamos, caímos (teoria da gravitação), a luz do Sol atinge a Terra após 8 minutos (teoria da relatividade). Todas essas teorias são fundamentadas e nenhuma delas é tão ampla e satisfatoriamente aceita como a teoria da evolução. Ainda assim, “Os criacionistas fazem soar como se uma teoria fosse algo que você sonhou após ter ficado bêbado a noite toda”, diz Asimov.

No entanto, a teoria criacionista é a única, até agora, cujos fundamentos nunca puderam ser comprovados cientificamente e é a que mais apresenta contradições. Além disso, quando falamos em criacionismo, logo nos vêm a mente a idéia do mito cristão, de Adão e Eva, do Jardim do Éden e dos seis dias de criação de deus (no sétimo ele descansou, merecidamente). Essa não é a única teoria criacionista existente. Os maias acreditam que deus fez a Terra quadrada, e que cada lado desse quadrado é dominado por uma luz diferente, sendo roxo ao leste, negro ao oeste, amarelo ao sul, branco ao norte, e verde no centro; Algumas tribos hindus acreditam que o mundo foi criado a partir de uma mantegueira cósmica que separou os elementos, dando um valor específico a cada um (talvez a massa tenha desandado); Índios norte-americanos acreditam que a Terra surgiu por ordem do deus-sol e que toda vida veio da deusa-aranha; Os índios maués, brasileiros, acreditam que o mundo surgiu por criação da mãe-cobra. No entanto, ela cometeu um pequeno deslize quando o criou, e fê-lo com iluminação por todo o dia. Somente quando um índio foi procurá-la para reclamar que era impossível descansarem com a luz do Sol brilhando sempre sobre eles, foi que ela criou a noite; os Shiluck, da África, acreditam que ele surgiu de uma gota de leite (e de onde veio o leite?); os Maxakali, do norte de Minas Gerais, aceitam que o mundo foi criado por ‘Topa’, e que este vivia entre os homens. Mais tarde, cansado das brigas e da ignorância humana, ele mudou-se para o céu e, de desaforo, mandou uma coluna de água para a Terra que matou a todos, deixando apenas um casal para repovoá-la; Os gnósticos acreditam que o mundo foi criado por um ser imperfeito que, contrariando o deus todo-poderoso, deu vida aos seres, mas falhou em sua missão, explicando porque somos mortais.

Muitos poderiam argumentar que essas teorias criacionistas ‘alternativas’ não são reais porque abrangem um número muito pequeno de seguidores e são demasiadamente regionalistas. Ora, tal refutação recai obrigatoriamente no argumento do Consenso Geral, onde a crença da maioria torna realidade essa crença. O que poderíamos dizer de Einstein, Copérnico, Freud ou Darwin que, ao criarem suas teorias, eram únicos em seu pensamento? Eles eram, na verdade, uma minoria tão absoluta que suas teorias bem poderiam ter sido descartadas.

Portanto, devemos nos perguntar: o ensino confessional adotado nas escolas cariocas é capaz de abranger todas as vertentes da criação, ou o criacionismo cristão é o único a ser abordado, sendo, portanto, imposto? A resposta parece encontrar-se nas palavras da governadora Rosinha Matheus que, ao dizer que não acredita na teoria da evolução, impôs sua filosofia na rede pública de ensino, contrariando as normas do estado laico. Atitude perigosa esta, visto que o evolucionismo não é uma crença, mas uma teoria científica que vem sendo comprovada dia-a-dia por experimentos científicos e observação minuciosa.

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