Autor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Templo de SalomãoAs religiões sempre recorrem a dois fortíssimos aliados para se auto-validarem e difundir suas crenças: em primeiro, vem a carência do ser humano, incapaz de admitir que talvez estejamos neste planeta por acaso, abandonados à nossa própria sorte.

Em segundo, o fato de que as grandes religiões nasceram na aurora dos tempos, onde nem os registros escritos nem a ciência existiam. Nossos primos extintos, engolidos pela seleção natural, os Neanderthal, há 350.000 anos já enterravam seus mortos. Já o Homo-sapiens, de 200.000 anos para cá, enterrava artefatos junto com o morto, o que indica algum tipo de religiosidade. Mas estamos ainda muito longe, antes mesmo da última Era Glacial. Vamos nos aproximar mais da nossa era.

Os sumérios, em 5000 a.C, já acreditavam num panteão enorme de deuses, além dos reis antediluvianos, que governaram por milênios até morrerem. Isso ficou apenas no boca-a-boca: a escrita ainda levaria 1000 anos para ser inventada (pelos próprios sumérios, aliás). Mas vamos avançar mais na linha do tempo. Os primeiros reis da Inglaterra, Alemanha, etc, se confundem com as lendas! Pois é! Os historiadores ainda estudam para saber quais reis realmente existiram e depois foram transformados em lendas; e quais são puramente lendas. E falamos em apenas 1500 anos atrás. O nascimento do Judaísmo é o dobro disso: 3000 anos atrás.

Nesta aurora dos tempos, o conteito de povo, de nação, era muito incipiente. As tribos ainda estavam se misturando, criando suas próprias culturas, seus deuses e crenças . É quando ocorre o sincretismo religioso, ou seja, diversas crenças fundem-se em uma só, e a creça resultante  mantêm diversas características das originais. Agora, aos poucos, os especialistas começam a achar indícios de que o judaísmo é uma fusão de diversas crenças dos cananeus, povo que habitava Canaã. Isto fica naquela região onde hoje estão Israel, Líbano, Síria. E Canaã começou a se formar por volta de 3500, quando também se formou a cidade de Hamoukar. E advinha de onde veio o povo que habitou esta região? Suméria! Mais precisamente, eles vieram de Uruk, uma das primeiras cidades feitas pelo homem, próximo ao “Crescente Fértil” (atual Iraque), onde ficam os rios Tigre e Eufrates.

Um dos locais em Canaã onde foram achadas estas evidências é Ugarit. Esta cidade foi destruída por invasores bárbaros em 1200 a.C., mas os arqueólogos recuperaram numerosas inscrições da cidade, nas quais dá para entrever uma mitologia que apresenta semelhanças (e diferenças) impressionantes com as narrativas da Bíblia. “Por isso, Ugarit é uma parte importante do fundo cultural que, mais tarde, daria origem às tribos de Israel”, resume Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale (EUA).

Uma das figuras mais proeminentes nesses textos é “El”,  nome que quer dizer simplesmente “deus” nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família, dos deuses. Em textos da Bíblia há, por exemplo, referências a El Shadday (literalmente “El da Montanha”, embora a expressão normalmente seja traduzida como “Deus Todo-Poderoso”), El Elyon (“Deus Altíssimo”) e El Olam (“Deus Eterno”). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio, de vida eterna. Há ainda a incorporação de certas características de um guerreiro divino, Baal. Indícios dessa nova “personalidade” de Deus surgem do fato de que, pela primeira vez na narrativa bíblica, Javé é visto como um guerreiro, destruindo os “carros de guerra e cavaleiros” do Faraó e, mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória, durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Javé é descrito “cavalgando as nuvens” e “trovejando”.

O mais impressionante é que 6 BILHÕES de habitantes deste planeta ainda acreditam nestas histórias inventadas há tanto tempo…

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