Autor: Luiz Bicalho

TenExistem muitas pessoas que colocam os filhos em uma religião com o argumento de que “mal não faz”. Um das questões mais citadas sobre isso é que regras morais como os “10 mandamentos” são bastante úteis no dia a dia da vida comum. Que tais regras ajudariam muito se todos as seguissem.

Olhando de um ponto de vista histórico, escrever as regras morais e transformá-las em legislação, que todos deveriam obedecer, é uma das conquistas que a humanidade teve em seu caminho que a tirou da barbárie e a colocou nos trilhos da construção de uma civilização. As tribos primitivas não tinham necessidade de tais regras escritas – valia o conselho dos anciões que decidia em casos de litígio e uma de suas regras mais comuns transformou-se depois em parte da legislação em vários locais e povos – “olho por olho, dente por dente”. Esta regra, que a nós hoje parece bárbara, permite que se coloque um limite a vingança de uma perda qualquer. Se meu vizinho me roubou um boi, não posso tirar sua vida como conseqüência deste roubo. Ou seja, a regra é um avanço em relação ao direito de retaliar de qualquer forma. A expressão – lei de talião – significa uma lei em que o castigo é proporcional ao roubo (do latim talis – igual semelhante).

O código de Hamurabi (Babilônia) e a bíblia continham regras baseadas neste principio. O direito romano também as incorporou e, dada a constituição dos feudos e reinos bárbaros na Europa serem muito inferiores culturalmente ao império romano, a realidade é que a maioria dos códigos jurídicos modernos acabou tendo como forma o código romano das leis.

E onde ficam os mandamentos e outros preceitos morais da bíblia ou, por exemplo, do alcorão? É evidente que se fossemos aplicar, no mundo de hoje, todo o código jurídico da bíblia isso se chocaria com todos os avanços da civilização. Nós vemos os exemplos práticos disso quando lemos sobre as leis “islâmicas” que são aplicadas:

– penas como chicoteamento, corte de membros ou da vista são comuns.

– o depoimento de uma mulher tem um valor inferior a de um homem

– a culpa, no caso de um estupro, é da mulher que não soube se cuidar

– as roupas das mulheres devem esconder o rosto e só deixar visíveis os olhos

– as mulheres não falam, só respondem ao que lhe perguntam os homens

Poderíamos prosseguir nos exemplos. É evidente que se pegarmos as regras existentes na bíblia e tentarmos introduzi-las diretamente, isso se chocaria com a sociedade moderna. O grande feito do cristianismo foi justamente usar a figura de Jesus para mostrar que a lei antiga já não era valida. Observemos que os evangelhos vão e voltam sobre estas questões. A imagem contida em “quem não tem pecado, que atire a primeira pedra” é bastante forte e, evidentemente, representa um avanço em relação à lei antiga, que propunha como castigo moral o apedrejamento. A imagem de Jesus expulsando os vendilhões do templo, tentando preservar um costume antigo e voltando-se contra a comercialização de deus, também é forte, embora represente uma tentativa de volta ao passado que é rapidamente esquecida como o mostram as vendas das indugências.

Mas, o que sobrou então? Sobraram os 10 mandamentos.[i] A editora Paulus em sua versão on-line, dá a explicação sobre os 10 mandamentos e, provavelmente, é esta explicação ou semelhante que costumamos estudar quando crianças nas aulas de catecismo (foi algo assim que estudei). Apresentamos aqui a “explicação” lado a lado com cada mandamento.

1. “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão..Não terás outros deuses diante de minha face.Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

 

1. ° mandamento (vv. 3-6): Proibição de servir a outros deuses. O povo deve escolher: ou servir a Javé, que no seu amor dá liberdade e vida, ou servir a outros deuses, que acarretam como castigo a escravidão e a morte. Além disso, proíbe fabricar ídolos, para que o povo não seja tentado a servir a deuses falsos: é impossível representar o verdadeiro Deus com imagens ou idéias, que correm sempre o perigo de ser manipuladoras.

2. .“Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro. 

 

2. ° mandamento (v. 7): Proibição de usar o nome do Deus libertador para acobertar injustiça e opressão. Em outras palavras, o nome de Deus não pode ser manipulado para justificar um sistema que fabrica injustiças na defesa de interesses pessoais ou de grupos.

3. Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. O Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou. 

 

3. ° mandamento (vv. 8-11): Proibição de explorar o trabalho do irmão, tornando-o escravo. Todo homem tem direito ao dia de descanso para se refazer e tomar consciência de sua vida: o direito de ser livre e gozar o resultado do seu trabalho, antecipando a plena realização que Deus reserva a todos os homens. Além disso, este mandamento faz reconhecer que as pessoas dependem do Criador, e que o trabalho humano é relativo.

4. Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus. 

 

4. ° mandamento (v. 12): Mostra que a honra é devida em primeiro lugar aos pais e não aos poderes do Estado ou de qualquer outra autoridade. Por outro lado, a vida e a liberdade dependem do respeito aos pais, que são a fonte da vida.

5. Não matarás.   

5. ° mandamento (v. 13): É o mandamento central. Não proíbe apenas atentar contra a vida do outro; condena também qualquer sistema social que, pela opressão e exploração, reduz o povo a uma condição sub-humana, levando-o à morte prematura.

6. Não cometerás adultério   

6. ° mandamento (v. 14): O mandamento não se refere propriamente à castidade e à vida sexual, mas ao respeito pela relação matrimonial: não só é preciso respeitar a própria família, mas respeitar também a família do outro; o adultério destrói a relação familiar.

7. .Não furtarás.  

7. ° mandamento (v. 15): Não se trata apenas de atos isolados de roubos entre pessoas; o mandamento condena qualquer sistema social que se estrutura a partir do roubo (= lucro), seja o roubo da força de trabalho (salário mal pago), seja do produto do trabalho (impossibilidade de usufruir do fruto do próprio trabalho), seja ainda do direito ao descanso (lazer).

8 Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. 

 

8. ° mandamento (v. 16): Não se trata apenas de falar mal dos outros. O mandamento condena a corrupção na administração da justiça, pois esta é o único recurso para os pobres e fracos reivindicarem e defenderem seus direitos contra os ricos e poderosos.

9 e 10. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.”

 

9. ° e 10.° mandamentos (v. 17): Proíbem a cobiça em todos os níveis e formas. Condenam qualquer sistema social que tenha como única meta o ter mais, incentivando espertezas e tramas para se apoderar do que pertence a outros. A cobiça é a mãe da idolatria do poder e da riqueza, que destroem a liberdade e a vida alheias.

 

Como podemos notar pelos dois textos, as igrejas cristãs e particularmente a igreja católica fizeram um notável trabalho de “aperfeiçoar” as leis supostamente divinas e adequá-las a realidade de hoje e ao trabalho da igreja. Vamos comentar rapidamente cada um dos mandamentos e sua “moral”, qual a moral que está por traz deles e se eles serviriam para uma vida “moral”, enfim para a realização daquilo que cada família, cada pessoa busca ao dar um ensino religioso ao seu filho e explicar “no final de contas, não atrapalha, ajuda a pessoa a ter um sentido na vida”.

O primeiro mandamento é evidentemente não só anti-científico, ou seja, proíbe que a pessoa possa pensar em romper com deus, em admitir a não existência de deus como, além disso, a prepara para todos os argumentos religiosos das guerras. O presidente do Irã, em carta ao presidente dos EUA, Bush, argumentava que o verdadeiro deus iria sobreviver e que ele o representava. Bush se declarava o “presidente da guerra” e, além disso, dizia ter um mandato de deus para suas políticas. Ou seja, em ultima analise, o que eles argumentavam como razão para a guerra, para todos os seus horrores era justamente “entender o reinado de deus sobre a terra”. Claro que sabemos que os EUA invadiram o Iraque por causa do petróleo e o Afeganistão para tentar construir uma rota alternativa para o gás existente nos países ao sul da Rússia. Mas é melhor apresentar ao povo um mandato divino que dizer que se faz a guerra por causa de interesses comerciais (que interessam aos ricos, não aos pobres que morrem nas guerras. Estes o fazem para defender o seu pais, o seu deus).

Israel, quando da invasão da faixa de Gaza, acontecida no final de 2008 tinha em cada um dos batalhões um ministro religioso que explicava que o que eles faziam inclusive a morte de mulheres e crianças era uma missão divina e a comparava com as invasões e destruições dos povos que a bíblia relata.

Sim, o primeiro mandamento é exatamente um mandamento de guerra: defenda o teu deus. Lembremos que em tempos antigos, o deus era o lar, a casa, o povo. Estes conceitos não diferiam. Cada povo tinha a sua religião e o seu deus (ou deuses). Defender o povo, o seu território, o seu lar, era defender o seu deus. Esta é a origem do mandamento. Aplicado hoje, quando o deus de Israel, Islâmico e cristão é o mesmo (as três religiões tem a mesma origem) é uma falsificação intelectual, uma impostura que disfarça os interesses comerciais, os interesses de riqueza e dominação em nome de… deus, do seu primeiro mandamento (também comum as 3 religiões, embora não tão citado no Islã).

O segundo mandamento destaca claramente a necessidade da manutenção da ordem de dominação vigente, através da premiação de quem obedece (até a milésima geração) e do castigo dos filhos e netos daqueles que desobedecem.  Observe que o texto original começa com o castigo, embora a “explicação” só fale do amor e do perdão (Parodiando o verso famoso de Vinicius de Morais… ”que deus foi feito para o amor e o perdão, cai nessa não…). A explicação fala da luta contra as injustiças, mas o texto original é direto e claro: justo é aquilo que deus ordena, portanto, não existe essa de se revoltar contra qualquer lei de deus. Não por acaso um dos livros que a igreja mais destaca, inclusive nos sermões dos padres, é o livro de Jó, que é castigado por deus, perdendo tudo – propriedade, família – e continua a servir a deus. É uma moral extremamente bem vinda para a classe dominante e ruim para os dominados. A burguesia, não por acaso, quando era uma classe revolucionária, que contestava a ordem vigente (França, Alemanha e Itália) produziu os melhores filósofos e historiadores que questionavam a igreja e sua moral.

O terceiro mandamento é mais interessante. Trata-se de uma primeira conquista dos trabalhadores, conquista que vai se prolongar até o dia de hoje: que temos um dia de descanso durante a semana. Esta conquista já foi questionada varias vezes e, inclusive, durante o começo da revolução industrial, totalmente desrespeitada. Porem, apoiando em algo que sobreviveu por séculos, os trabalhadores fizeram a burguesia recuar e conseguiram novamente o seu dia de descanso. Esta luta vai depois ser estendida para a questão da jornada de trabalho e não só para “dias de descanso” e hoje no Brasil refere-se a ter 40 h de jornada semanal.

Os mandamentos quatro a oito são aqueles que mais as pessoas pensam quando se trata de dizer que “temos uma moral”. Eles proíbem a morte, o furto, o desrespeito aos pais, as mentiras, o adultério. Nós vamos analisar cada um deles em consonância com a situação atual e suas conseqüências.

Honra teu pai e tua mãe. Pessoalmente, cada um de nós, pelo menos a maioria, respeita os seus pais. Claro que as mudanças sociais em que as separações se tornam cada vez mais comuns, levam a problemas práticos – muitos filhos e filhos ficando longe em particular dos pais. Lembremos, entretanto, que esta regra foi feita em uma situação em que a família era tudo. Era o seu lar. Você não se separava da família e em torno dela se estruturava a vida. Durante anos os filhos tinham que seguir os pais, inclusive em suas opções políticas. Hoje, a igreja tenta com este mandamento exigir que você siga os caminhos religiosos de seus pais. Eu continuo a respeitar minha mãe e meu pai (já falecido) embora eles fossem religiosos e eu não.

Não matarás. A nação mais poderosa do planeta tem a sua justiça regrada pelo juramento sobre a bíblia. E, entretanto, é uma das nações que mais mata o seu povo (particularmente os negros) com a pena de morte (violação direta do mandamento) como com as guerras que ela continuamente promove sobre todos os continentes. Então, como conciliar isso com este mandamento? Lembremos, este mandamento é o quinto, o primeiro é defender o seu deus. Então, na defesa de deus, vale tudo, inclusive desrespeitar o mandamento mais importante (não quero relembrar aqui as cruzadas ou o santo oficio, com suas fogueiras. Hoje o vaticano não comanda forças armadas, mas muitos as comandam “em nome de deus”). Por ultimo, podem os povos se rebelarem e matarem seus opressores? Por este mandamento, não. Como se vê, o problema moral é sempre decidido por qual moral você defende. Alguém que defende a moral dos opressores, sempre levantará este mandamento como justificativa para a sua “quietude” durante uma luta contra os opressores. E sempre justificará as mortes causadas por estes, por eles estarem defendendo… deus. Eu prefiro um mundo onde não seja preciso matar e morrer. Mas, para chegar lá, é possível que ao nos defendermos dos ataques dos opressores acabemos violando este mandamento.

Não cometerás adultério? Ah, que bom que houvesse regra no amor, que bom que ninguém se apaixonasse por outra pessoa que não o seu próprio conjugue. Que bom que seria se todos os casamentos terminassem como os contos de fada – e foram felizes para sempre. “mas compreendia que além de nós existem outros”. Pois é. O mundo seria uma maravilha. E pastores e padres nos atormentam quando estas coisas acontecem, quando o amor chega de forma inesperada. Sim, o outro que foi abandonado sempre sofre. Mas precisam sofrer três, dois porque vivem um casamento onde não existe amor, outro porque o seu amor ficou preso? Ou é melhor a separação e depois quem chorou pode até conseguir achar um novo amor? Relembremos que a igreja católica e as outras cristãs têm posicionamento diferente com relação a isso. É principalmente a igreja católica que não aceita o divorcio e a separação. Mas a história do cristianismo sempre foi isso – achando novos meios de adaptar-se aos tempos modernos, inclusive quando isso “contraria” seus mandamentos que eles convenientemente esquecem.

Ah, o sétimo mandamento. Sim, detesto ladrões. A maioria do povo detesta ladrões. E se sente tão mal com isso, que uma das coisas que a pessoa mais preza é o seu nome, qualquer um se irrita com dever e não conseguir pagar. Um anarquista fez uma vez um comentário – quem faz mais mal? O que rouba um banco ou aquele que funda um banco? A verdade é que vivemos em uma sociedade onde, antes de tudo, somos roubados a cada dia. Roubados quando o lucro vem do trabalho não pago, roubados quando pagamos a previdência social e não recebemos uma aposentadoria justa, roubados quando compramos coisas que em propaganda são maravilhosas e na vida real são muito ruins. A minha opinião? Acho que expropriar os expropriadores não é roubo, é fazer justiça, desde que seja feito de uma forma social! Roubar um banco, ao contrário do que dizia o anarquista, é muito ruim – iguala o trabalhador que toma este caminho ao dono do banco. Mas acho que estão certos os sem-terra que ocupam propriedades para dividi-las entre os que não têm terra. Acho certo que Chavez mande estatizar empresas que escondem comida na Venezuela. Sim, eu detesto ladrões, principalmente os que roubam o povo todo (ah, nem vou falar da história de passagens de deputados e senadores para… isto já seria ir longe demais com estes “pobres” senhores que tanto “sofrem” para nos “representar”).

Quando eu era criança, o oitavo mandamento era traduzido de uma forma mais simples: não mentir. Pois é, quantas vezes mentimos para defender alguém que nos é próximo, para evitar uma dor no outro? E quando você está numa greve, a diretoria do sindicato tende sempre a exagerar nos números, para mostrar a força da greve, ou seja, ela… mente. E não é justa esta mentira? É justo aquele que mente ao ladrão, dizendo que não tem mais dinheiro nenhum? Regras tão rígidas são meio complicadas. Agora, a tradução da Paulus é que não podemos corromper a justiça, pois ela é a única defesa dos pobres contra os poderosos. É? E as greves, as manifestações, as ocupações de terra, não existem? É a “suja” realidade atrapalhando o reino doce da moral cristã. Sejamos francos, eu admitiria um testemunho falso de vários grevistas para defender o colega que durante uma greve acabou batendo no policial que tentava dissolver um piquete. E isto seria falso testemunho? Na moral cristã, sim, seria um falso testemunho. Mas para todos os outros, seria apenas mais uma forma de se defender contra a opressão.

Ufa, finalmente chegamos ao nono e décimo. O comentário da Paulus é que condena os sistemas que tenham como único fim a obtenção do lucro, a cobiça. Mas este mandamento não foi feito no capitalismo, não foi feito na situação atual. Ele demonstra bem o que era a situação das pessoas no tempo em que a bíblia foi escrita. Vou repetir aqui para ficar claro:

Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.

Parabéns as mulheres, que conseguiram ficar antes dos escravos, escravas, bois e jumentos… e logo depois das casas. Ou seja, o que o mandamento faz é estabelecer uma regra de convivência onde os seres humanos eram propriedade de outros. Existiam e eram normais os escravos e escravas. E a mulher só se encontra um degrau acima disso! Mais nada. Ela não pode ser “cobiçada” como não pode ser cobiçado o “boi”. O alvorecer da humanidade foi triste e duro e demoramos milhares de anos para chegar à situação atual em que mulheres e homens podem se reivindicar de igualdade. Lembremos que na maioria dos países do mundo, inclusive nas “democracias” o direito de voto das mulheres só apareceu depois dos anos 1920-1930 (um dos primeiros, se não me engano, foi a Rússia revolucionária, depois de 1918).

Sim, podem tentar disfarçar o que quiserem, mas a única coisa que faz este mandamento é lembrar um tempo terrível em que existiam escravos e que mulheres não eram muito “melhores” que bois.

Terminamos a nossa jornada pelos mandamentos. Existirá outra moral, outros “mandamentos” que possam ser aplicados. Falando francamente, cada filosofia tem a sua moral. A minha, em particular é de que bom é tudo que une os oprimidos contra os opressores. Esta é a minha moral. Mas antes de discuti-la, vamos precisar em outros artigos discutir os sete pecados capitais, os novos pecados da bula do novo papa e a luta da igreja e do novo papa contra o ateísmo.

luizbicalho@gmail.com


 [1] Existem diferentes versões, conforme foram as traduções da bíblia original. Por exemplo, encontramos esta (adventista):

Os Dez Mandamentos – Êxodo 20. 1 a 17 
  1 – Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de mim.

2
– Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.3 – Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.4Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.
  5 – Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.6 – Não matarás.
 
7 – Não adulterarás.

8 – Não furtarás.

9 – Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

10 – Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

 

Nós utilizaremos a versão católica, modernizada, como forma de discussão. A tradução católica, da bíblia original, difere pouco desta versão, mas difere na numeração:

1.“Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão..Não terás outros deuses diante de minha face. .Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

2.“Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.

3.L embra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.

4. Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus.

5. Não matarás.

6. Não cometerás adultério.

7 . Não furtarás.

8. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.

9 e 10. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.”

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