Fonte: Ideias Cretinas

Graças à revista Time, descobri o website BioLogos, do biólogo Francis Collins. Collins, uma das forças motrizes por trás do Projeto Genoma Humano, é um importante cientista… e um cristão evangélico. Confrontado com os conflitos inerentes à conciliação dessas duas condições, ele optou por uma saída arriscada: tentar demonstrar que, na verdade, não há conflito algum. Nesse aspecto, o BioLogos é uma tentativa de oferecer um antídoto a opiniões como as de Richard Dawkins.

Pessoalmente, acredito que Collins está fadado ao fracasso (uma exposição de meus argumentos a respeito pode ser encontrada numa das encarnações anteriores deste blog, mais precisamente aqui), mas o ponto que eu queria discutir agora é um dos argumentos apresentados pelo BioLogos, o do “fine tunning” do Universo: por exemplo, se as constantes que regem a física quântica fossem só um pouco diferentes, as estrelas não formariam carbono em quantidade suficiente para haver moléculas orgânicas e, portanto, vida!!

(Carmina Burana na caxa, por favor, maestro)

Esse tipo de argumento tem dois problemas a meu ver, um prático e um filosófico. O prático é que essas propostas geralmente só variam uma constante de cada vez, mantendo todas as outras iguais. Se duas ou três delas mudassem juntas, o resultado final poderia ser exatamente o mesmo — ou, o universo tem muito mais graus de liberdade para produzir-nos do que parece.

O filosófico é que o argumento põe o carro na frente dos bois: não é o universo que é ajustado para que nós existamos, nós é que somos ajustados para existir neste universo. Essa é uma refutação tão óbvia quanto frequentemente ignorada pelos proponentes do “fine tunning”.